Bruna “BnvKs” fala sobre sua experiência como manager de League of Legends

A jogadora atuou como manager para a equipe Alvinho e os Esquilos, que conquistou o segundo lugar no Desafio Sulamericano de Lol, promovido pela CBGE na DreamHack Rio nos dias 19, 20 e 21 de Abril.

Durante a passagem do Projeto Sakura pela DreamHack Rio, nos deparamos com uma situação que nos alegrou bastante: Um dos times que disputava o Desafio Sulamericano de League of Legends, a Alvinho e os Esquilos, tinha como manager uma mulher. Entrevistamos a Bruna pra saber um pouquinho mais da sua experiência com esports.

Projeto Sakura: Nos fale um pouco sobre você.

Bruna: Me chamo Bruna, mais conhecida como "BnvKs". Migrei do Crossfire para o lol no final da Season 3 e desde então não larguei mais o jogo. Gosto de jogos de estratégias e até tentei ir para o Paladins, mas não era pra mim. Estou no cenário de league of legends a uns quatro anos, porém me interessei totalmente no lol do ano passado pra cá, também tive passagem por alguns times amadores (como jogadora, manager e social media).

PS: Como foi a experiência da DreamHack pra você e pros meninos?

Bruna: Bom, foi bem diferente, mas satisfatória. Muitos não haviam jogado campeonatos importantes e apesar de estar esperando que os jogos ocorressem em uma estrutura maior e com público, ficamos felizes com nossos "esquiletes" na twitch nos acompanhando e torcendo.

PS: Na data do campeonato, você estava junto com a Alvinho a quanto tempo?

Bruna: Em torno de duas a três semanas. O time foi criado apenas para jogar alguns campeonatos da região e no final deu tudo certo.

PS: Durante o tempo em que acompanhamos vocês no campeonato, vimos os meninos chamarem você de "mãe" em tom de brincadeira. Como você se sente sobre esse apelido?

Bruna: Fico feliz. Me chamam de "mãe" por que fui uma mãezona para eles nessas duas últimas semanas que tivemos para custear as passagens, e também por que sempre estou perto ouvindo e apoiando os meninos para tudo.

PS: Você é a única mulher no time? Sente falta de alguma outra?

Bruna: Sou sim e sinto. Depois de passar tanto tempo com vários homens você acostuma, mas sinto muita falta de uma companhia feminina.

PS: Você já ouviu alguma 'piada de mal gosto' por sempre estar em meio aos meninos?

Bruna: Muitas. No evento, ouvi diversas vezes piadas indiretamente pra mim, por ser a única mulher atuante no meu time e eles me respeitarem fortemente.

PS: Você já sentiu que seu trabalho como manager estava sendo dificultado, de alguma forma, por você ser mulher?

Bruna: Muitas vezes. Infelizmente, o pessoal ainda é rude e não sabe lidar com mulheres liderando um espaço.

Foto: Étila Almeida 

PS: Ficamos sabendo que a CBGE não custeou as passagens de vocês para o campeonato. Qual sua opinião sobre isso?

Bruna: É triste que um evento com uma infraestrutura ENORME não teve capacidade de custear as passagens dos jogadores, trouxeram times de fora também e nada foi custeado. Tanto que o time do Chile não participou por que não teve condições.

PS: Como vocês fizeram pra conseguir ir ao evento?

Bruna: Eu e nosso capitão, Shun, fizemos campanhas de Vakinha e rifa para arrecadarmos o dinheiro necessário, mas não obtivemos muita ajuda. Então tive contato direto com o Samuel, CEO da Havan Liberty e com Marcelo (manager), e a Havan pagou nossas passagens e nos deu toda ajuda possível.

PS: O que você acha que precisa ser mudado no LoL pra que os times de novatos possam chegar aos campeonatos maiores?

Bruna: Primeiro, acho que essa questão de times menores no lol é complicada. Fundar um time novo agora, por exemplo, é difícil; ou tu tem 5 players espetaculares (o que é difícil de achar, porque já vão estar em outros times) ou tu tem um investimento gigantesco (como é o caso da Havan). Segundo que isso é uma competição, times de novatos não vão chegar ao topo sendo novatos, precisam crescer uma hora ou outra.

PS: E pra que as mulheres possam começar a se profissionalizar?

Bruna: Em questão das mulheres, creio que as portas estão se abrindo mais. Como por exemplo o Projeto Sakura com a INTZ, diversas meninas participaram. No próprio campeonato da Dreamhack também havia uma menina jogando na Nocaute e havia uma narradora também. Sem contar que tinha uma torcida feminina em peso.

PS: Quais são seus planos pro futuro nos esports?

Bruna: Após a Dreamhack recebi inúmeras propostas de times, tanto grandes quanto times menores igual o nosso. Mas tenho um carinho enorme pelos meninos por tudo que conseguimos juntos, e pretendo seguir com eles, atuando como Manager e Social media, é algo que eu gosto MUITO e me faz muito feliz.

PS: Gostaria de deixar algum recado pra quem tá lendo?

Bruna: Nunca desistam dos seus sonhos, independente do quão difícil e duro seja. Meu pai sempre dizia que após uma grande tempestade, viria um belo arco-íris. Não se deixe abalar com alguns "nãos", acredite em ti e no seu potencial, se você quer algo, lute fortemente para isso acontecer.

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