Entrevista com Beatriz Gomes Coutinho, da Versus Esports

           Beatriz Gomes Coutinho, de 23 anos, é redatora da Versus Esports e ingressou no cenário há três anos quando quando conseguiu seu estágio na IGN. O que mais joga do competitivo é League of Legends, porém já jogou muito Hearthstone. Ainda dentro do cenário de jogos digitais, ela prefere jogos com ilustrações, traços e design mais bonitos além de jogos de história como Life is Strange. Apesar de não jogar Rainbow Six por se considerar péssima em jogos de tiros, ela acompanha o cenário competitivo e tem como seu jogador favorito Pengu, o qual já teve o prazer de entrevistar. Seus hobbies são a dança e os livros e tem como gênero favorito de leitura fantasia.

Como foi sua vivência na área e maior desafio até agora?

Comecei a trabalhar com jornalismo de Esports já amando Esports. Comecei a acompanhar o competitivo bem antes de começar a faculdade. A parte mais difícil foi separar a relação de ídolo e profissionais, eu era fã de muita gente principalmente do cenário de lol e o mais difícil era não surtar. Por fora eu era a jornalista mas por dentro eu tava ''Ai meu, Deus eu tô entrevistando o Revolta, como assim?'', então foi bem difícil na hora em que eu precisava entrevistar porque eu tinha que saber que ali era a Bia jornalista. Isso parece muito bobo mas é algo difícil de fazer no começo, a gente fica deslumbrada porque eram pessoas que a gente via na transmissão do CBLOL. Na primeira vez em que eu entrevistei o FalleN, por exemplo, eu quase caí paras trás, eu estava muito nervosa. Muita gente fala que tem pro player que não é profissional, que eles nao respondem as perguntas direito, mas a realidade é que a gente que tá do outro lado do microfone fazendo a entrevista e escrevendo as matérias, precisa ser muito profissional também para não ficar agindo como fã só porque antes dali a gente já foi fã.

Como surgiu o interesse pelo cenário de esportes digitais? Sempre foi o que você almejou?

Comecei a acompanhar o cenário porque meu namorado sempre acompanhou. Ele começou a jogar lol em 2014 e eu comecei a acompanhar junto com ele, nós víamos o CBLOL juntos etc. Quando entrei na faculdade, eu já tinha uma leve ideia de começar a trabalhar com isso mas não era uma ideia muito grande nem algo em que eu pensava muito. Sempre amei entretenimento e comportamento, sendo áreas nas quais eu queria seguir na época, então eu tive a oportunidade de colocar o assunto Esports em um trabalho e precisei entrevistar algumas pessoas que já trabalhavam na área, isso foi no final de 2016. Conversei com a Bárbara Gutierrez que hoje é a minha editora chefe e quando terminei de entrevistar ela, não só por ela ser uma jornalista incrível mas também uma mulher muito incrível, eu pensei pela primeira vez: "Meu Deus, acho que dá para eu trabalhar com isso também."

Baseada em toda sua vivência com esportes digitais, qual seria sua previsão para o cenário feminino daqui há alguns anos? Há algo que você mudaria atualmente?

Acho que eu não mudaria nada no cenário feminino em si e sim nas coisas ao redor dele. Eu mudaria as pessoas que não enxergam ele como algo necessário, eu mudaria as empresas que não vem potencial nele, as premiações que são super baixas, mudaria os incentivos para melhor para que as mulheres se sentissem seguras em seguir uma carreira de pro player porque a gente sabe que é muito difícil ainda para nós. No geral, acho que falta um pouco mais de união e menos rivalidade mas desde que eu comecei a trabalhar com Esports, só consegui ver melhorias no cenário.

Minhas previsões para o cenário feminino são só de melhoras. Se alguns anos atrás me contassem que iria ter um projeto para colocar duas meninas jogando dentro de uma organização gigante, duas mulheres participando de um reality show como Gillete Ult, a quantidade enorme de meninas que estão stremando agora, isso há alguns anos atrás, eu provavelmente não acreditaria. Acho que isso só mostra como a gente tem feito a diferença e é fazendo a diferença que a gente é notada por empresas, por patrocinadores, times etc. No fim é isso que importa, que a gente tenha visibilidade e que sejamos vistas para que tenhamos novas oportunidades.

Você acredita já estar no seu lugar almejado?

Acho que de jeito nenhum eu estou no meu lugar almejado. Acredito que eu tenha capacidade para chegar muito mais longe como repórter e ao mesmo tempo que eu digo isso, eu tenho muito a aprender ainda no jornalismo no geral, no jornalismo de Esports e no Esports em si.

Para ser justa, a Beatriz de 2016 que começou a faculdade de jornalismo querendo mudar o mundo e tudo mais, acho que ela sim está no lugar em que ela almejava, escrevendo dentro de uma redação muito foda, tendo a oportunidade de gravar vídeo que é algo que eu nunca imaginava que eu gostava ou conseguiria fazer, tendo oportunidade de viajar para cobrir campeonato, mas a Beatriz de hoje, a que está falando aqui com você agora, sabe que precisa continuar almejando muita coisa para continuar crescendo no cenário.

Já está na área há quanto tempo? Se vê fazendo o que faz hoje no futuro?

Eu trabalho com jornalismo há 3 anos e só trabalhei com o jornalismo de Esports até hoje. Eu tive muita sorte de conseguir estágio no IGN quando eu estava no segundo ano da faculdade e dentro do IGN eu já sabia que o Versus iria existir. Foi o meu primeiro estágio já em uma área que eu gosto e eu sou muito privilegiada e muito sortuda também por isso ter acontecido comigo e eu também sei que muitas pessoas gostariam de ter começado em estágios ou até mesmo empregos fixos melhores.

Mesmo trabalhando com jornalismo há 3 anos, é muito pouco perto perto do tempo que muita gente do cenário de Esports tem, mas acho que eu não posso só me desvalorizar. Apesar de ser pouco tempo eu fiz muitas coisas legais e me vejo sim escrevendo e cobrindo campeonato no futuro, mas não vou mentir que essa não é a única coisa que eu tenho vontade de fazer; tenho muita vontade de trabalhar com produção de conteúdo direto de algum time, criando conteúdo, fazendo meu trabalho de jornalista só que só para um time. Basicamente é isso, produção de conteúdo direto para algum time. Também tenho um sonho bem distante que eu ainda não pensei direito, foi uma ideia eu surgiu no final do ano passado porque tive oportunidade de conseguir conversar um pouco com a Guaxinim, Manager da equipe de DOTA. Fiquei com vontade de ver como é a vida de Manager de time. Acho que é uma coisa que eu me vejo fazendo, sou muito boa em ser responsável, em cuidar das pessoas, perceber as necessidades dos outros e talvez fosse uma área em que eu pudesse me dar bem. Mas de qualquer forma, me vejo sim escrevendo e cobrindo campeonato por alguns anos ainda antes de tentar algo muito novo ou fora da caixinha.