Entrevista com Olga, jogadora profissional pela Black Dragons

No segundo dia da nossa programação Semana Gamer, trazemos uma breve entrevistinha com a jogadora profissional de CS:GO, Olga "olga"! Agradecemos muito a ela por ter aceitado responder nossas perguntinhas. Confira aqui um pouco da história dela e o que ela tem a dizer sobre o jogo e seu cenário:

Olga quando jogava pela New Eagles Esports. Fonte: Divulgação/New Eagles


Seu começo

Olga Rodrigues Locatelli joga CS desde 2004, mas apenas a partir de 2011 entrou no competitivo. No Global Offensive, entrou no cenário competitivo em 2015, já com a mente bem focada no objetivo de disputar campeonatos e ser uma jogadora profissional. Por um ano jogou em times masculinos, disputando qualificatórias e campeonatos em lanhouses ou mesmo pela internet, e conquistou em 2016 o título da Brasil Game Cup pela Remo Brave.

Apesar disso, o time se desfez pouco depois, e foi aí em que Olga se viu em transição de gênero. Em 2017, Olga saiu da casa de seus pais, vendeu peças de seu PC e começou a trabalhar para pagar pelo seu tratamento hormonal. Por causa disso, teve de se afastar do cenário, e também para dar um tempo para si e sua transição.

Dez meses depois, Olga remontou seu PC e conseguiu voltar ao CS:GO, desta vez como coach de um time feminino, sendo noticiada como a primeira técnica trans de CS:GO. Ela queria melhorar o cenário feminino e "ver as 'minas' tendo oportunidades tão boas quanto as dos 'caras'". Depois, virou coach de outro time feminino, e alguns meses depois tornou-se jogadora desse mesmo time, e segue até agora sendo a única jogadora trans do cenário competitivo nacional.


O cenário feminino

"Dentro do cenário feminino conquistei alguns títulos, tanto online quanto presencial, mas poucos primeiros lugares"

Para a jovem de 25 anos, a comunidade do jogo é um reflexo de nossa sociedade cheia de toxicidades. Olga acha importante expôr os casos de discriminação, mas geralmente não gosta de falar muito sobre isso. Além do preconceito por conta do gênero, a jogadora ainda tem que lidar com transfobia, e diz que recebe "comentários ofensivos até de mulheres".

"As minorias sociais que tentam fazer parte sofrem bastante, a mulher é uma delas. São alvo de violências e ameaças todos os dias"

Perguntamos dos chats de lives e transmissões de competições, e a e-atleta contou que a maioria das mensagens enviadas nos chats destas são hostis, minimizando as mulheres, principalmente quando é o confronto entre um time feminino e um masculino. Mas ela nota que geralmente tem moderadores para impedir que este ambiente ruim dure, e que "boa parte da comunidade também defende muito a gente".

A falta de apoio familiar é a primeira dificuldade que as mulheres podem enfrentar no cenário profissional de CS:GO, na opinião de Olga - ela comenta que o mesmo não acontece com os meninos. Logo depois vem a falta de apoio por parte das organizações, "que raramente investem de uma forma que permita às meninas se dedicarem completamente ao jogo". A jovem também critica as premiações em campeonatos femininos, que poderiam ser melhores. Tudo isso, para Olga, se junta e cria uma última dificuldade, que é "a resistência diária e a dúvida se vão conseguir construir uma carreira dentro do e-Sport como player profissional".

Apesar disso, a jogadora conta que percebeu que o cenário feminino do CS:GO vem melhorado ultimamente, e se pergunta se isso se deve à insistência e persistência das mulheres. Ela está muito otimista quanto ao futuro do cenário e diz que é possível ver desde já os resultados do que "fizemos no passado" e o segredo é "manter o foco e sintonia pra alcançar nosso ideal".

Olga diz que um cenário exclusivamente feminino é importante para o conforto das mulheres e para possibilitar seu crescimento profissional e inspiração. Para ela, a única justificativa para não ter mulheres nos maiores times mistos de CS:GO é porque "homens não querem jogar com mulheres, é só isso".

Por fim, a e-atleta acredita que para mudar essa situação não depende só das mulheres, e sim também de toda a comunidade, que deveria "se educar e aprender que as mulheres têm tanta vontade quanto, tanta habilidade quanto, tanto potencial quanto os homens têm pra aprender e jogar no melhor nível possível".


O time feminino da Black Dragons em 2019.


Olga atualmente joga pela Black Dragons, que participa da Liga Feminina da Gamers Club. A Black Dragons também participou do Campeonato Brasileiro de Counter-Strike em 2019 e está participando novamente este ano, ambas as vezes sendo o único time feminino.


Esta matéria contém algumas informações cedidas exclusivamente em entrevista ao Versus.

Obrigada por terem acompanhado o segundo dia da nossa programação! Amanhã traremos uma visão geral do cenário feminino de CS:GO, apresentando alguns campeonatos futuros, outros que já estão em andamento, e como acompanhá-los. Fiquem ligados na Semana Gamer - CS:GO da Sakuras Esports!