Entrevistas com Carol Costa, Bruna Penilhas, Larissa Gonçalves e Lana Juno

Nós da Sakuras Esports montamos um compilado de respostas às perguntas mais importantes para o contexto de mulheres no esports, em nossa concepção. As jornalistas escolhidas foram a Carol Costa e Bruna Penilhas, da IGN Brasil, e a Larissa Gonçalves e Lana Juno, da equipe Sakuras Esports.

As perguntas são:

1. Para que possamos te conhecer melhor, nos conte mais sobre seu trabalho e como decidiu se consolidar na área.

2. Você sempre pensou em se tornar jornalista esportiva voltada para a área de esportes digitais?

3. Quais principais desafios você enfrentou para se manter no cenário?


Carol Costa

  1. Sou jornalista, editora-assistente e apresentadora no IGN Brasil. Trabalho diariamente com notícias sobre games e cultura geek no geral, seja escrevendo notícias, analisando jogos ou no Daily Fix, quadro diário com o resumo do dia. Também escrevo e apresento um programa especial sobre games independentes. Cresci com videogame em casa, virou um hobby desde cedo, mas quando entrei na faculdade de jornalismo já planejava trabalhar diretamente com cultura. Quando a oportunidade de escrever sobre games surgiu, ficou óbvio para mim que era um caminho interessante a ser trilhado. Desde então comecei a, além de jogar como hobby, estudar mais sobre o tema e os aspectos que envolvem jogar, compreender mais do mercado de jogos e focar minhas pesquisas e direcionamento para área.

  2. No caso eu não trabalho com esports, falo/escrevo primordialmente sobre games tradicionais e cultura "geek" no geral (filmes, séries, quadrinhos...). Mas de todo modo, eu não imaginava que trabalharia com isso. Era algo tão presente na minha vida como hobby que levou um tempo para cair a ficha que eu poderia trabalhar com algo que gostava tanto

  3. O jornalismo em si, em qualquer área que você exerça, tem seus altos e baixos. As oportunidades não costumam surgir facilmente, mas sempre tive em mente produzir o conteúdo independentemente do canal de publicação: o importante era produzir. Lidar com internet nem sempre é gratificante: há muitos comentários e feedback negativo quando você se expõe em uma plataforma que possibilita a resposta imediata do público. Mas, por outro lado, há inúmeras mensagens de apoio e incentivo, a presença de outras mulheres incríveis no cenário para inspiração e a oportunidade de trabalhar com algo que tanto amamos -- o que é, sem dúvidas, muito recompensador.

Bruna Penilhas

  1. Comecei a faculdade de Jornalismo em 2013 com a intenção de trabalhar na editoria de entretenimento, especificamente em cinema. Mesmo tendo games como meu hobbie favorito, na época eu não fazia ideia que podia trabalhar com isso dentro do jornalismo, até que, em 2014, veio uma oportunidade de estágio em um site de jogos chamado Selecter. Foi lá que percebi que era este caminho que eu gostaria de seguir na minha carreira, trabalhando com o assunto que eu mais gosto, que são os videogames. A certeza veio quando entrei no IGN Brasil, em 2015. Estou lá desde o começo o site, há cinco anos. Comecei como estagiária e agora, formada, sou editora assistente. É realmente um privilégio poder trabalhar com algo que somos apaixonados.

  2. A minha primeira opção de faculdade era Gastronomia, na verdade. Mas por uma série de motivos, acabei seguindo para Jornalismo porque sempre gostei de escrever e de ler. Entretanto, no começo da faculdade eu não tinha a noção de que haviam sites especializados na cobertura de videogames. Isso mudou quando comecei meu estágio no Selecter. Mas foi no IGN em que eu tive a oportunidade de falar não só de games, como também de cinema e cultura pop no geral, o que era tudo o que eu desejava cobrir.

  3. Diariamente, eu e as minhas colegas de profissão e redação somos questionadas por homens sobre a nossa capacidade e conhecimento. Já sofri muitos ataques em que fui acusada de "não jogar nada" e de não saber nada sobre videogames. Nestas situações, meu trabalho é completamente ignorando. Não há críticas pontuais ou construtivas, mas sim xingamentos e ataques gratuitos que existem apenas pelo fato de eu ser uma mulher. Eu busco expandir meu conhecimento sobre o assunto diariamente, estou sempre aprendendo e ainda tenho muito a evoluir como pessoa e como profissional da área. Entretanto, a comunidade gamer ainda é um ambiente extremamente machista e tóxico, algo que precisamos lidar diariamente. Muito mudou nos últimos anos e é claro que, além do ódio gratuito, nós também recebemos muitos comentários positivos e agradáveis.

Larissa Gonçalves

  1. Desde que entrei na faculdade de jornalismo todo e qualquer trabalho que eu pudesse fazer sobre Esports voltado para a área do cenário feminino, eu fazia. A partir daí surgiu o meu interesse de trabalhar na área, interesse esse que sempre foi um sonho distante porque antes de conhecer melhor o cenário, eu não sabia ao certo se conseguiria trabalhar com jornalismo dentro dos esportes digitais.

  2.  Como já entrei na faculdade gostando bastante do cenário de esportes digitais, essa área em questão se tornou meu grande interesse desde o começo, porém, sempre tive interesse em outras vertentes como radiojornalismo etc.

  3. Ainda sou muito nova nisso tudo mas acredito que os desafios que vou enfrentar daqui para frente são os mesmos que já conhecia antes: o machismo, o desrespeito com o cenário feminino e com a figura da mulher em si se posicionando e cobrando posicionamento. De qualquer forma, o fato de já estar inserida em um projeto voltado totalmente para o cenário feminino vai me ajudar bastante a lidar com isso daqui em diante.

Lana Juno

  1. Eu sou relativamente nova no cenário, comecei a jogar LoL em 2018 e ainda estou aprendendo muito. No final de 2018 teve o anúncio do primeiro time feminino profissional de LoL, o Athena's eSports, e me apaixonei pela ideia de ver mulheres jogando profissionalmente. Por seguir o time, o Twitter me recomendou a Sakuras (na época 'só' projeto) e fiquei super empolgada em saber que havia iniciativas para profissionalizar e incentivar a participação feminina nos eSports. Na época até criei um blog para noticiar os times femininos amadores/semi-profissionais que estavam surgindo (prometo que ainda volto com ele!). Lembro de ficar uns dois dias tentando me convencer a me inscrever para a vaga de redatora que abriu, mas estou muito feliz por ter abraçado esse risco, pois agora estou numa equipe incrível e lutando por uma causa maravilhosa, sempre aprendendo mais e mais a cada dia.

  2. Na verdade, eu sempre fui muito desmotivada de muita coisa dita 'masculina' quando eu era criança. Ninguém levava a sério as ideias que eu tinha para jogos e histórias (principalmente se não eram romances...) e por isso já desisti de muitas possíveis profissões, entre elas desenvolvedora de jogos e/ou jogadora profissional. Desde mais ou menos os 12 anos, simplesmente não era mais uma opção para mim. Eu precisava fazer algo que eu gostasse, mas que desse uma renda razoável, principalmente aos olhos da minha família. Sempre amei jornalismo, então fui por esse caminho, deixando uns milhares sonhos para trás para perseguir um que não iria me deixar infeliz, mas também não iria me completar. Quando me deparei com o cenário feminino em 2018 foi como se um mundo se abrisse para mim de novo, eu vi que havia a possibilidade de juntar dois sonhos meus (trabalhar com jornalismo e com games) e ainda incentivar mulheres a não desistirem do delas!

  3. Acho que, por ser relativamente nova, o maior desafio é que o cenário parece meio fechado demais. Sempre tenho que pesquisar para saber quem é quem, quem fez o quê, quem é importante e por quê, e tem muitos, muuuitos memes e momentos anteriores à minha chegada que tenho que constantemente revisitar. É um trabalho constante que faz eu me sentir um pouco perdida de vez em quando, mas o segredo é não ter medo de perguntar, afinal a intenção é boa.