Relembre a Riot Walkout: um ano depois

Por Lana Juno

Exatamente a um ano atrás, mais de 150 funcionárias e funcionários do campus de Los Angeles da Riot Games caminharam em passeata para denunciar casos de assédio sexual e discriminação de gênero dentro da empresa, além de sua política favorável à arbitração forçada. O evento foi chamado de Riot Walkout.

A Sakuras Esports cobriu esse evento com profundidade assim que este ocorreu e você pode ler a matéria aqui, se quiser mais detalhes sobre o que foi dito durante a caminhada.

Em 2019, trouxemos a vocês informações sobre a Riot Walkout e um pouco de contexto para sua realização. Agora, em 2020, trazemos um contexto mais amplo e detalhado, além de uma visão cronológica do que foi decidido, mudado, e de que forma o movimento afetou a empresa interna e externamente.

"Silencie uma, e você silencia todos nós" - dizeres de um dos cartazes da Riot Walkout.


Um ano depois da #RiotWalkout

"Nós vamos te carregar, Riot"

"Eu o denunciei e ele foi promovido" - dizeres de um cartaz na Riot Walkout.


Em 6 de Maio de 2019, mais de 150 funcionárias e funcionários se reuniram no campus de Los Angeles da Riot Games. Com cartazes e discursos em megafones, e as exigências eram claras: descontinuar a arbitração forçada em todos os contratos (passados, vigentes e futuros), retirar pedido de arbitração para processos ativos, e criar um cronograma com datas para a realização das mudanças prometidas pela empresa.

O protesto pacífico foi considerado o primeiro de um grande estúdio de jogos. A inspiração veio também da passeata do Google, realizada em 1º de Novembro de 2018, que fez a empresa abandonar a arbitração forçada para casos de assédio e discriminação sexual.

Durando cerca de duas horas, o pequeno evento contou com apresentações de cartazes que diziam coisas como "Seja a empresa que você diz ser", "Forçado não é uma palavra que as mulheres gostam" e "Eu o denunciei e ele foi promovido". Houve também discursos em megafones declarando apoio às mulheres e homens que sofreram assédio.

Além disso, manifestantes também demandaram um cronograma com datas fixas para as evoluções internas que Riot tanto prometia, já que, segundo os presentes, a empresa não estava cumprindo com os planejamentos que ela própria tornou público no decorrer de 2018. Qualquer um poderia usar a hashtag #RiotWalkout para demonstrar seu apoio pelo movimento, mesmo quem não era Rioter ou não pôde comparecer.

"Sentimos muito" ‒ como tudo começou e as consequências da investigação da Kotaku


Como explicado em nossa matéria do ano passado, tudo começou com uma longa investigação do portal Kotaku, que demorou seis meses para ser elaborada e reuniu relatos de dezenas de funcionários e ex-funcionários da Riot Games ‒ "[Por] Dentro da Cultura de Machismo na Riot Games". A matéria foi postada em 7 de Agosto de 2018.

Fontes contaram à Kotaku que a Riot, logo após a publicação da investigação, lembrava um "barril de pólvora". O ritmo da empresa teria desacelerado bastante e, em alguns setores, até parado. As próximas semanas foram cheias de reuniões e folgas visando a reeducação quanto a comportamentos nocivos às mulheres e a elaboração de uma Riot diversa e inclusiva. Homens teriam parado para refletir sobre suas ações passadas e presentes. O foco era ouvir ao máximo para listar o que deveria ser modificado e, depois, como.

Alguns funcionários, entretanto, se enfureceram com a situação. Fontes informaram à Kotaku que, em 2015, o co-fundador Marc Merrill informou por e-mail já ter conhecimento de discussões internas sobre problemas relacionados à diversidade, principalmente ao gênero. Isso implica que a Riot já sabia da situação há pelo menos três anos. "Eles já tiveram muito tempo para consertar isso e ainda não determinaram objetivos mensuráveis, tangíveis", contou uma fonte à Kotaku, "Eles não tiveram só três semanas para pensar sobre isso". A situação só era importante agora porque estava na mídia.

Mulheres demonstraram seu apoio umas pelas outras após a publicação através de post-its nos banheiros da Riot. Fonte: Kotaku, 9 de Agosto de 2018.


Em 29 de Agosto de 2018, 22 dias após a reportagem, a Riot publicou um pedido de desculpas. Pediu desculpas aos jogadores, aos Rioters (funcionários), às pessoas considerando um dia trabalhar na Riot, e aos parceiros atuais e futuros. Nos meses seguintes, segundo fontes afirmaram à Kotaku, por volta de 30 funcionários deixaram a empresa ou se demitiram. Os motivos não foram revelados. A saída mais marcante foi a do vice-presidente Lance Stites, que trabalhou na Riot por sete anos e era conhecido por gabar-se aos outros funcionários por visitar clubes de strip em viagens a trabalho. Stites negou que visita clubes de strip frequentemente, disse que não os visita com colegas de trabalho, e que antes de deixar a Riot já não fazia isso há um bom tempo.

Por fim, na publicação de desculpas, Riot também anunciou que investigaria todas as reclamações dos funcionários.

Em 7 de Setembro de 2018, dois funcionários da Riot foram demitidos após terem abordado a investigação da Kotaku em suas redes sociais. A empresa afirmou que "Essas partidas não dependeram dos nossos esforços para evoluir nossa cultura", mas outros funcionários especularam que, embora não tenham sido os únicos a falar publicamente da publicação, a forma de abordagem desta (por exemplo, ao afirmar em tweets que uma reunião entre funcionários com apenas mulheres e não-binários não seria sexismo com homens) pode ter sido vista como "agressiva" demais.

"'Não' não necessariamente significa 'não'" - slogan informal usado como piada pelos co-fundadores Marc Merrill e Brandon Beck. Quando Barry Hawkins, ex-diretor de gestão de produtos, explicou por quê se preocupava com o uso desse dizer, foi chamado a uma reunião para discutir "A voz e o senso de humor da Riot".

Cinco dias depois destas demissões, em 12 de Setembro de 2018, a Riot anunciou a contratação de Frances Frei, professora da Harvard Business School contratada pela Uber para tratar sua cultura sexista. Frances seria a conselheira sênior e trabalharia na transformação cultural de toda a equipe da Riot.

"Todo Rioter que eu conheci verdadeiramente se importa com inclusão, o que significa que uma mudança real é possível. A Riot não está interessada só em consertar os problemas na superfície, ela tem a ambição de ser uma líder na indústria e providenciar um roteiro para outros seguirem. Eu compartilho desta ambição e estou ansiosa para ajudar a Riot a navegar neste processo" - Frances Frei.

Em Novembro de 2018, cinco funcionárias e ex-funcionárias da Riot entraram com processo contra a empresa por discriminação de gênero, possivelmente motivadas pela publicação da investigação. Os processos só tiveram destaque meses depois ‒ logo voltamos a falar deles.

"Diversidade não deveria ser um ponto focal do design da Riot Games porque a cultura gamer é o último refúgio restante para garotos brancos adolescentes" - afirmação do terceiro funcionário seguido a ser promovido a supervisor, feita para a mulher que realizava o mesmo trabalho há mais tempo, sem promoção e sem aumento de salário.

Apesar das promessas da empresa, era difícil mergulhar de cabeça no otimismo. Em Dezembro de 2018, quatro meses depois da investigação da Kotaku, pelo menos três homens em posições de liderança que foram denunciados ainda trabalhavam na Riot. No meio do mês, foi revelado que o COO Scott Gelb, conhecido por, entre muitas outras coisas, tocar nas genitálias de funcionários homens, foi afastado do cargo por dois meses, sem direito a pagamento, "para receber treinamento"... Seja lá o que isso signifique. O CEO da Riot, Nicolo Laurent, afirmou que "Muitos dos rumores circulando sobre o Scott [...] não são verdadeiros", mas não disse quais rumores seriam estes. Não temos mais informações de Scott Gelb desde então ‒ lembrando que isso foi a dois anos atrás.

"O agarrar de bolas e coisas assim... [...] Todo mundo sabia quem fazia isso. [...] Mas ele foi promovido. Era de conhecimento geral que ele fazia isso, e ninguém impediu" - uma fonte sobre Scott Gelb ao Kotaku.

Ainda em Dezembro de 2018 foi anunciada a contratação de Emily Winkle como Chefe Oficial de Pessoal (CPO), que responderia diretamente ao CEO Nicolo Laurent e trabalharia ao lado do Chefe Oficial de Diversidade (CDO), quando este fosse definido. Emily Winkle trabalharia em várias facetas, como na contratação, recrutamento e relacionamento com os funcionários, para citar alguns. Era a adição de uma mulher na equipe de liderança composta pelo CEO, Presidente e COO (que, só pra lembrar, é o Scott Gelb).

O manifesto da Riot, lançado em 2012, foi atualizado em 16 de Janeiro de 2019. A mudança era nos "valores", removendo "Levar o jogo à sério" e "Desafiar o convencional" e adicionando "Ousar sonhar" e "Prosperar juntos". A investigação da Kotaku considerava o manifesto anterior um fator contribuinte à cultura machista da empresa, principalmente o valor "Desafiar o convencional", que funcionários relatam ter sido usado como desculpa ao fazer piadas sexistas ou inadequadas.

Em Fevereiro de 2019, o cargo de Chefe Oficial de Diversidade (COD) estava devidamente ocupado com o anúncio da contratação de Angela Roseboro. Seu cargo mais recente até então era como Chefe Global de Diversidade, Igualdade e Inclusão na Dropbox. Angela Roseboro seria encarregada de se assegurar de que a equipe de Diversidade e Inclusão da Riot possa "identificar, recrutar, desenvolver e reter o melhor talento para produzir experiências incríveis para os jogadores".

Em 30 de Abril de 2019, a Riot Games anunciou que agora era um membro fundador da aliança tecnológica Reboot Representation, que visa dobrar o número de mulheres negras, latinas e nativo americanas a receber diplomas tecnológicos até 2025. Entre os outros membros fundadores encontrava-se Adobe, Dell, Intel e Microsoft. A empresa também anunciou apoio às organizações Girls Who Code, CoderDojo, Girls Inc., e 9Dots.

Mas é claro que as coisas pareciam boas demais. O cenário mudou quando, em 26 de Abril de 2019, Riot Games obrigou duas das cinco mulheres que a processavam a abandonar seus processos e assumir a arbitração forçada. A Sakuras explicou o que é arbitração forçada na matéria do ano passado, mas em suma: um árbitro, geralmente escolhido pela empresa, julga a disputa que seria transformada em processo; o funcionário não pode processar a empresa, participar em uma ação judicial coletiva ou recorrer; a decisão do árbitro é irrevogável, e os resultados não são públicos. A desculpa foi que, ao serem contratados, todos os funcionários aceitam submeter-se à arbitração forçada e são proibidos de abrir processo contra a Riot. Como as duas mulheres ainda eram funcionárias, a ação foi convertida em arbitração.

"As ações de hoje só servem para silenciar as vozes dos indivíduos que [não se calaram perante] tal má conduta, e demonstram que as palavras da empresa não eram nada mais do que [falácias]" - Ryan Saba, advogado das demandantes.

Essa notícia causou agitações e os funcionários da Riot começaram a falar sobre organizar uma passeata. Na tentativa de impedir uma possível crise, a empresa realizou uma reunião e no dia seguinte, em 3 de Maio de 2019, publicou um post explicando melhor sua arbitração, dando detalhes sobre o método de escolha de árbitros e outros pontos, além de anunciar que novos funcionários poderiam escolher não usar arbitração forçada para processos de assédio e abuso sexual... Mas só assim que os processos jurídicos atuais fossem resolvidos. Os funcionários já contratados não teriam a mesma opção, nem para processos futuros ‒ ao menos, não tão cedo.

E assim, três dias depois, em 6 de Maio de 2019, realizou-se a Riot Walkout.


Após a caminhada

Em 12 de Maio de 2019, a Riot publicou um post comemorando o Dia Internacional Contra Homofobia, Transfobia e Bifobia (IDAHOTB, em inglês), relembrando sua parceria com o projeto It Gets Better e o projeto The Trevor e anunciando doações de US$100.000,00 para cada organização.

Quase duas semanas depois da Riot Walkout, a empresa finalmente mencionou o evento diretamente com um blogpost. A publicação reconheceu a manifestação como um momento importante na "transformação da empresa" e informou que a Riot continuará não modificando processos ativos (ou seja, estes continuarão com arbitração forçada) e repetiu que o foco é estender a opção de não-escolha da arbitração aos demais Rioters, mas apenas quando todos processos ativos se concluírem.

Ou seja, nada de novo.

Entretanto, a publicação apresentou duas novidades: a criação de um fórum chamado D&I Rioters Council (Conselho de Diversidade de Inclusão dos Rioters), com a direção de Angela Roseboro; e a revisão do Código de Conduta da Riot por um grupo diverso de Rioters. O post também relembrou todas as ações relativas à diversidade e inclusão feitas pela Riot até então desde Setembro de 2018.

Em Junho de 2019, um mês após a Riot Walkout, o Departamento de Justo Emprego e Habitação (DFEH, em inglês) da Califórnia revelou que estava abrindo um processo de execução de investigação contra a Riot Games. O objetivo era conseguir autorização legal para exigir da Riot informações sobre os pagamentos de seus funcionários para assim averiguar se haveria pagamento desigual para homens e mulheres, além de investigar mais a fundo as acusações de assédio e discriminação sexual "em seleção [de candidatas a vagas] e [critérios de] promoção".

O DFEH contou ao portal Kotaku que, embora sua investigação tenha começado em Outubro de 2018 ‒ ou seja, um mês depois da publicação da própria Kotaku ‒ a Riot teria se recusado a cooperar, tendo inclusive "impedido" a investigação ao não fornecer "informações básicas [relativas aos] empregos [...] cujas leis empregatícias exigem que os empregados mantenham [sempre consigo, nunca descartem]". A abertura de processo seria necessária pois, segundo o DFEH, uma solução não seria possível sem envolver ações jurídicas.

A Riot, entretanto, respondeu via blogpost que cooperou "de boa-fé" com o DFEH desde o começo da investigação, atendendo seus pedidos e produzindo "mais de 2.500 páginas de documentos e vários milhares de linhas de informação", e que fez vários pedidos ao DFEH para que este informasse quais outros pedidos restavam, mas que não obteve resposta. A empresa também afirmou que está "francamente desapontada" com o release do DFEH afirmando que ela não está contribuindo, e que a Riot fez "progresso substancial em diversidade, inclusão e cultura empresarial" e pretende "continuar a demonstrar isso ao DFEH".

Um ano depois da divulgação da investigação da Kotaku, em Agosto de 2019, funcionários relataram ao portal sentirem-se otimistas quanto ao futuro. Embora fosse possível observar comportamentos bastante negativos ‒ como mensagens anônimas em aplicativos dizendo que funcionárias de processar a Riot só queriam dinheiro dos jogadores ‒ muitos acreditavam que a empresa estava investindo bastante numa mudança positiva.

À Kotaku, Angela Roseboro contou que a Riot agora tinha 3% mais mulheres do que no ano passado, 22% de funcionárias se comparado ao número total. Funcionários contaram ao portal que Angela foi "enviada por Deus" e que estava realizando um ótimo trabalho. O único problema relatado foi uma divisão formada entre os funcionários: um grupo feliz pelos esforços feitos pela Riot e focado apenas no futuro, e outro que deseja que a empresa se responsabilize pelos seus atos machistas passados.

"Parte da mensagem dos líderes [diz que] temos que seguir em frente. [...] Isso não descarta o fato de que ainda há pessoas lá fora, citadas em processos por impedir promoções de mulheres. Nos pedir pra seguir em frente não é a coisa justa a se fazer se essas coisas ainda estão acontecendo. Isso é jogar pra debaixo do tapete" - uma fonte à Kotaku.

Outros funcionários já dizem que não faz sentido martelar num assunto já resolvido só porque ainda dói, pois cada vez que citá-lo doerá novamente, comparando os casos de machismo com brigas em um casamento.

As reclamações anônimas em aplicativos também são um incômodo, mas alguns funcionários teorizam que as pessoas que enviam estas mensagens são as que estão perdendo seus privilégios e não podem protestar agora que a diversidade e a inclusão são pontos prioritários dos cargos mais altos da empresa.

À Kotaku, funcionários estimaram que 15% de seus colegas de trabalho estavam apaixonados pela ideia de combater o machismo; 70% estavam a favor, ou neutros, pelos esforços da Riot; e 15% discordam com este foco na diversidade dado pela empresa. Angela Roseboro contou que leva um ano para mudar o comportamento de um indivíduo, mas cinco para mudar o de uma empresa.

Para marcar a data de um ano desde a publicação do artigo da Kotaku, a Riot também publicou um blogpost escrito por Angela Rosaboro detalhando com calma tudo o que foi feito pela empresa até então. De todas as informações trazidas a público, é interessante destacar a criação dos Grupos de Identidade dos Rioters (RIGs), sendo eles: Rad-Genders (para não-binários); Riot Noir (para negros e afrodescendentes); Rainbow Rioters (LGBTQ+), Veteranos, e Filipinos na Riot (Filipins at Riot). O objetivo seria aprimorar o senso de pertencimento e comunidade dentro da empresa. O post também anunciou que a Riot alcançou todos os seus objetivos na checklist criada lá em Setembro de 2018.

Lembra das mulheres que processaram a Riot em Novembro de 2018? Quase um ano depois, em Agosto de 2019, a Riot revelou que entrou em acordo judicial com as denunciantes sobre aos processos e que ambas as partes acharam esta decisão justa. O advogado das mulheres envolvidas, Ryan Saba, afirmou que o acordo é "uma clara indicação de que a Riot está dedicada a progredir na evolução de sua cultura e práticas empregatícias" e que "Os vários funcionários que [se dispuseram a] falar [o que estava acontecendo], incluindo as demandantes, ajudaram significativamente a mudar a cultura da Riot".

Em Dezembro de 2019, um ano e um mês depois dos processos serem abertos, Riot tornou público este acordo e divulgou uma decisão surpreendente: pagaria uma compensação para todas as mulheres que já foram contratadas pela empresa desde 2014, de um fundo total de pelo menos US$10 milhões. O valor, lembrando, era por ter quebrado o Ato de Igual Pagamento da Califórnia, e para compensar pelo assédio e discriminação sexual. Aproximadamente mil mulheres receberiam uma quantia proporcional ao tempo trabalhado na empresa.

"É ótimo que a Riot decidiu compensar as mulheres pelo abuso que sofreram aqui, mas [...] no final do dia, Riot prefere pagar às mulheres [...] para continuarem trabalhando com abusadores" - uma funcionária sobre o acordo ao portal Kotaku.


2020 e o que virá

No começo de Março deste ano, Angela Roseboro publicou um blogpost no site da Riot comemorando seu aniversário na empresa. Nele, comentou sobre seu ingresso à Riot, sua vida profissional como mulher negra em posição de liderança, e informou que atendeu à #RiotWalkout e que, embora tenha sido um momento difícil na história da empresa, ela o viu como uma grande fonte de esperança, pois pôde ver o quanto os Rioters se preocupam e se importam consigo mesmos, e que espera que os Rioters tenham sentido que suas vozes foram ouvidas.

Angela Roseboro também comemorou o lançamento de Senna, a primeira mulher negra de League of Legends, e o de Qiyana, a primeira mulher latina. "Nós não podemos continuar a subestimar o poder da representação", escreveu ela ao descrever o momento que viu os trailers. O desenvolvimento dessas duas personagens envolveu "a vontade dos artistas de serem abertos e vulneráveis ao que desconheciam, e o orgulho de nossos Rioters negros para que [os artistas] fizessem [os personagens da maneira] correta".

Ela conta que sua citação favorita é de um Rioter, numa apresentação sobre a criação de Senna: "Essa experiência me ensinou que eu não tenho que por padrão [fazer personagens] brancos".

Após citar suas emoções ao comparecer aos eventos relativos às comemorações de 10 anos de League of Legends, Angela Roseboro tocou na ferida: Scott Gelb. Ela conta que conheceu o COO antes mesmo de ler sobre ele na mídia e que "os memes não representam a pessoa que eu vim a conhecer", que "ele se tornou talvez um dos mais fortes campeões de diversidade na Riot", e que "Scott é a prova de que uma pessoa pode aprender de seus erros passados, crescer, e ser um campeão para a mudança". Também criticou a cultura do cancelamento e relatou estar feliz por ter dado uma oportunidade para Scott.

No começo de Abril deste ano, a vice-presidente Oksana Kubushyna publicou um post retratando suas crises pessoais consequentes do ambiente pesado em 2018, criado pela investigação da Kotaku. Ela relatou os passos que tomou para manter-se estável, inclusive contando de reuniões com outras colegas de trabalho para demonstrarem apoio, e citou Scott Gelb, indicando-o como o melhor gerente que já teve e lamentando a má reputação que a mídia pintou para este. O objetivo do post era fazer uma comparação com a crise mundial atual decorrente do COVID-19, dando dicas de como manter a saúde mental e emocional durante esta pandemia enquanto agradece pela Riot ser uma empresa de constantes mudanças positivas.

Por fim, a postagem mais recente é do final de Abril deste ano, que faz mais uma recapitulada de todas as ações relativas à diversidade e inclusão feitas pela Riot em 2019, mas mais importante, apresenta gráficos sobre a representação feminina, negra, latina e nativo americana na Riot Games, mostrando os acréscimos percentuais. É interessante notar que não há dados sobre a liderança feminina em 2018, ano de publicação da investigação da Kotaku.

Fonte: Riot Games


Além disso, não poderiam faltar promessas para o futuro. Uma parte com data e outra com previsões para este ano, as metas incluíam: aumentar a representatividade; continuar os processos judiciais pendentes; ter um plano de ação de diversidade e inclusão para cada líder na empresa; a criação da iniciativa Women@Riot (Mulheres na Riot), para engajar mulheres líderes; entre outros objetivos.

Resumindo?

Foi uma viagem muito turbulenta, mas o pior já passou. Embora tenha demorado para apresentar resultados concretos, tendo inclusive que ser exposta pela mídia para acelerar seus processos de evolução interna, a Riot Games parece verdadeiramente empenhada em mudar positivamente, e embora as denúncias sejam sérias (e a Sakuras nunca tratará nenhuma denúncia de outra forma), não podemos negar os esforços feitos pela Riot para compensar e impedir que isso se repita.

Nós da Sakuras estamos acompanhando todo esse processo desde o começo e estamos compromissadas a frequentemente trazer atualizações sobre estes assuntos ao nosso público. Nosso papel é mantê-las informadas e trazer o foco para estas denúncias para obtermos resultados ‒ e conseguimos. Mas isso não significa que iremos descansar, porque a luta não pára.