Semana Gamer: Os campeonatos femininos de CS:GO

por Lana Duarte, Gabriela Horta, Letícia Abreu e Priscila Augusto 


A equipe Dignitas, dos Estados Unidos, conquistou o bicampeonato do Intel Challenge Katowice ao ganhar a edição de 2019, a última até então. Fonte:Reprodução/Dignitas.


Anteriormente falamos um pouco sobre o Intel Challenge Katowice, e hoje vamos apresentá-lo de uma maneira mais explicativa. Organizado pela ESL em parceria com Intel e AnyKey, ele é um campeonato feminino criado em 2015 que faz parte da programação do evento Intel Extreme Masters (IEM). O IEM é realizado na cidade polonesa Katowice e em 2019 foi organizado também pela Valve, sendo assim um Major naquele ano.

Por ser um evento diretamente administrado por um Major, o Intel Challenge foi considerado "tipo" um Major feminino, pelo menos ano passado, e o campeonato frequentemente trazia times femininos de várias partes do mundo. Na última edição, o Brasil foi representado pelo TiMe DaS LiNdAs (depois contratada pela paiN Gaming e nomeado paiN Girls), que venceu nas qualificatórias da América do Sul, mas foi eliminado na fase de grupos. Mas, como mencionamos na matéria anterior, a ESL revelou à GINXTV que a edição da IEM de 2020 não terá campeonato feminino.

Entre os grandes campeonatos femininos de CS:GO há também o World Electronic Sports Games 2019 Female, da WESG. Este reuniria as finalistas das qualificatórias de seis regiões (América Latina, América do Norte, Ásia-Pacífico, Grande China, Comunidade dos Estados Independentes e Europa) para disputar pelo primeiro lugar na China. As finais estavam previstas para Março, mas em Janeiro, antes mesmo da equipe campeã da América Latina ser decidida, o torneio foi suspenso por medida de precaução ao COVID-19.

Apesar disso, o Brasil está na disputa: times femininos poderosos, como INTZ, Black Dragons e FURIA, disputaram as qualificatórias brasileiras, mas só as jogadoras da paiN Girls se classificaram e estão no aguardo para disputar as LATAM no Rio de Janeiro (data também adiada por conta da pandemia) e assim tentar reservar vaga nas finais. Se forem campeãs da América Latina, levarão pra casa pouco mais de US$ 14 mil (mais de R$ 73 mil). O prêmio para o primeiro lugar mundial ainda não foi revelado, mas US$ 100 mil serão dividios proporcionalmente entre as equipes finalistas.


Ícone da Liga Feminina da Gamers Club. Fonte: Divulgação/Gamers Club.


Já a Liga Feminina da Gamers Club é realizada de três em três meses (ou seja, quatro por ano) e tem como objetivo incentivar a profissionalização feminina no CS:GO. Ela é organizada pela Gamers Club (GC), plataforma de jogos online fundada em 2015 que também disponibiliza lobbies, aulas, servidores for fun e campeonatos diversos. A Liga Feminina é mais um dos campeonatos da GC e sua participação é obviamente exclusiva para mulheres (jogadoras trans só precisam de algum documento que prove seu nome social) e trouxe uma premiação de R$ 3.500 às campeãs da duas primeiras edições deste ano, além de garantir a estas vaga na Gamers Club Masters Feminina. Essa, inclusive, é a inovação deste ano. Lembra quando perguntamos pra onde as mulheres iriam sem o Intel Challenge Katowice em 2020? As brasileiras já têm uma resposta: mesmo sendo um Major, a GC Masters Feminina já é vista com um hype semelhante, e tem como objetivo juntar os quatro melhores times femininos da América Latina para competir pela grande premiação de R$ 60 mil. A GC informou à Sakuras que este é "um dos primeiros campeonatos femininos que a premiação e estrutura são iguais ao campeonato misto que é parente, a GC Masters que todo mundo conhece".



Para se classificar para a GC Masters Feminina, é só jogar as Ligas Femininas de Março e Abril (esta última em andamento). Como dito antes, as campeãs destas duas ligas estão automaticamente classificadas para o grande evento. As vice-campeãs estão automaticamente classificadas para o closed qualify de oito times, onde duas equipes serão campeãs e enfrentarão as campeãs das ligas anteriores. Haverá também um open qualify para o closed qualify... Okay, isso ficou meio confuso. Talvez você consiga acompanhar melhor neste diagrama disponibilizado pela Gamers Club:


Diagrama explicando como se qualificar para a Gamers Club Masters Feminina. Fonte: Reprodução/Gamers Club.


Além disso, para ter certeza de que nenhum homem está jogando os campeonatos, as jogadoras também precisam solicitar uma Medalha da Liga Feminina. Embora isso torne a inscrição um pouco mais burocrática, a GC nos contou que a medalha ajudou muito a diminuir os casos de empréstimo de contas e homens jogando com nicks femininos. A plataforma informa que "Qualquer time, qualquer menina, de qualquer level, qualquer habilidade pode participar [da Liga Feminina] e é mega bem-vinda".

Apenas as finais da Liga Feminina são transmitidas pela Gamers Club. Entretanto, uma iniciativa entre Dynasty Girls, Furnace Esports, Kaori Esports e You Go Girls chamada #ElasPorElas está transmitindo e narrando os demais jogos da liga! Fique de olho nas redes sociais dessas organizações para acompanhar o campeonato!

Para Olga Rodrigues Locatelli, a Liga Feminina é muito importante e "cria um ambiente seguro para as mulheres", permitindo que mulheres que estão entrando agora no competitivo se sintam confortáveis e incentivadas a continuar se profissionalizando. Olga está jogando a Liga Feminina pela Black Dragons e já jogou outras edições da liga.


Olga é trans e joga CS:GO pelo time da Black Dragons. Fonte: Reprodução/Instagram.

"Por mais que seja um ambiente competitivo, ali você sabe que não vai sofrer as coisas que sofre todos os dias em um servidor com homens"

Se você perdeu a programação de hoje, entrevistamos a Olga para sabermos afinal por quê não vemos nenhuma mulher nos times mistos dos Majors. Para ela, a resposta é "tão simples que parece que não faz sentido: homens não querem jogar com mulheres". Para saber mais sobre sua carreira e suas opiniões quanto ao cenário competitivo de CS:GO, confira a matéria anterior aqui!


Menções honrosas

Além da Liga Feminina, a Gamers Club também organiza o Mix Feminino, campeonato for fun onde várias jogadoras são reunidas via Discord, é sorteado para que times vão jogar, e as showmatchs começam. Segundo a GC, o objetivo é fazem com que as jogadoras se conheçam, se divirtam e se sintam seguras. Os Mix não têm uma frequência definida ainda, então fiquem ligadas nas redes da GC para não perder!

Quem acompanhou um pouco do cenário feminino em 2019 lembra que a Bad Boy Leeroy (BBL) lançou o Circuito Feminino, uma ampla programação focada na profissionalização feminina. O circuito trazia campeonatos de diversos "níveis", sendo estes: White Rabbit Cup (para amadoras), Mad Hatter (na transição) e Queen of Hearts (premium). Mad Hatter e Queen of Hearts abrangeriam apenas os jogos R6 e Dota 2, enquanto que a White Rabbit Cup trouxe esses e mais LoL e CS:GO para a disputa. Os prêmios eram em créditos para cada jogo (Riot Points, Steam Card, etc).

A campeã da primeira White Rabbit Cup na modalidade de CS:GO foi a Imperial eSports, que logo veio a ganhar mais algumas edições do torneio, que era semanal. Times grandes como paiN Girls, Team One RED e Santos e-Sports também participaram dessa e de outras disputas no Circuito Feminino.

Não dá pra ignorar o fato, também, de que a BBL também lançou o qualificatório regional LATAM para o GIRLGAMER Esports Festival, no qual o time da INTZ foi classificado e em Fevereiro deste ano representou o Brasil nas finais em Dubai, ficando em terceiro lugar. Pelo GIRLGAMER consistir em qualificatórias regionais (como o WESG Female 2019, por exemplo), o campeonato assume uma aura de "mundial" e portanto a colocação foi considerada uma grande conquista para o cenário feminino brasileiro. A INTZ perdeu para a equipe americana Dignitas. As campeãs foram as europeias Assassins, que ganharam US$ 20 mil, e a INTZ levou pra casa US$ 8 mil.

Também não podemos esquecer de comentar sobre a "Copa Fique em Casa", iniciativa entre os times femininos das organizações FURIA, INTZ e Black Dragons. Anunciado no último dia 13, consiste em showmatchs em três quartas-feiras seguidas (15, 22 e 29), sendo que a primeira quarta-feira, do dia 15, teve como arena o CS:GO. Durante a transmissão das showmatchs, todas as arrecadações serão doadas para o combate ao COVID-19, então separa um tempo das suas quartas pra ir dar uma força!


E chegamos ao fim da Semana Gamer de Abril! A Semana Gamer é uma programação mensal onde apresentamos um jogo, seu cenário profissional e seu cenário feminino, tudo para incentivar as mulheres a jogarem ou se aprofundarem nele. A Sakuras Esports está engajada em aprimorar a participação e profissionalização feminina em todos os games e conta com o seu apoio e feedback para continuarmos melhorando e ajudando mais e mais mulheres a não desistirem de seus sonhos. Agradecemos muito à Olga e à Gamers Club por terem nos ajudado com esse conteúdo, a todas que acompanharam nossa programação de CS:GO, e convidamos você a continuar seguindo nossa trajetória!